segunda-feira, 25 de junho de 2012

Mães e vítimas de abusos de professor relatam o que acontecia na escoal de reforço

http://www.oimparcial.com.br/app/noticia/urbano/2012/06/24/interna_urbano,117791/maes-e-vitimas-de-abusos-de-professor-relatam-o-que-acontecia-na-escoal-de-reforco´

O professor Chico Branco, dono de uma escola de reforço para alunos do ensino fundamental, no São Francisco, foi preso por estupro de vulnerável.

Ele dizia para eu sentar no colo dele, beijava a minha boca e depois passava as mãos nas minhas pernas e no meu bumbum. Foi mais de 10 vezes que seu Chico Branco fez isso comigo e ainda dizia para eu não contar nada para minha mãe porque gente grande não acredita em criança”, disse uma das vítimas de apenas 9 anos e ex-aluna do professor Francisco de Assis, conhecido no São Francisco como tio “Chico Branco”, de 55 anos.

Ainda nesta próxima eleição, almejava uma vaga na Câmara Municipal, como vereador. Ele foi preso pela equipe da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) na última quarta-feira, 20, e vai responder por estupro de vulnerável na forma tentada.

No começo da tarde de sexta-feira, 22, a equipe de O Imparcial foi até a residência de uma das vítimas de Chico Branco, localizada no São Francisco. Logo na chegada da equipe, a menina Carla* estava chorando muito e com ar de assustada, somente após alguns minutos é que a mãe dela, Vanessa*, conseguiu acalma-la.

Sentada no canto do sofá da sala e grudada com o seu ursinho, ela começou a relatar o que passou nas mãos do ex-professor há mais de seis meses. Segundo a vítima, no começo desse ano, o acusado pedia sempre para que ficasse ainda na sala de aula para ajudar os outros alunos a limpar o local. Mas, no decorrer dos meses, ela começou a ficar sozinha com ele e, nesse momento, se aproveitava dela.

Chorando e muito nervosa, Carla falou que Chico Branco passava as mãos nas suas nádegas e ainda chupava os seios. No final do abuso, dava alguns trocados ou presentes e não deixava de afirmar que ela não poderia contar para ninguém, pois, adultos não acreditam em histórias de crianças.

“Se contar alguma coisa para sua mãe ainda vai apanhar lá e também aqui”, disse Carla.

Como também falou que só teve coragem em contar para sua genitora quando chegou em casa com os lábios mordidos e inchados depois que foi beijada de forma forçada pelo Chico Branco.

De frente com a realidade


Revoltada e deprimida. Estas foram às palavras ditas pela mãe de Carla. Vanessa afirmou que, no momento, o seu desejo é que Chico Branco pague pelo crime que fez e continue na cadeia. Ela falou que Chico Branco roubou a inocência de toda a família, pois, o conhecia desde criança e todos os seus parentes sempre foram os seus amigos.

Ela ainda relatou que teve a coragem de colocar duas filhas, uma de 7 anos e outra de 9 para o acusado educar, e em vez disso, o pedófilo estava se aproveitando de forma sexual da mais velha. Também chegou a pagar uma quantia de R$ 25 por cada uma mensalmente para que pudesse ter aulas com esse professor.

Vanessa disse que começou a desconfiar que a filha estava sendo abusada pelo professor, após as filhas chegarem em casa sempre com presentinhos nas mãos e também lanches, como bolo, biscoito e até mesmo dinheiro, em valores pequenos, como R$ 5 ou 10.

Na última terça-feira, 19, a filha além de chegar com pedaços de bolo em casa, a mais velha estava nervosa e com os lábios inchados. Ao ser indagada, falou que tio Chico Branco tinha beijado e acariciado o corpo dela.

“Não pensei duas vezes, fui até a DPCA e falei tudo à delegada e, no dia seguinte, a polícia prendeu esse pedófilo”.

Ela também disse que a filha, agora, não quer ir mais a escola onde é estudante do 4º ano fundamental como ainda não almeja brincar com outras crianças da mesma idade.

“Tenho medo da minha filha ficar com alguma seqüela emotiva, após esse ato criminoso feito por esse bicho. Como esse homem quer ser vereador de São Luís desse jeito?”, indagou revoltada.

Mais vítimas

“A minha irmã estudou com ele por um período de seis meses e durante todo esse tempo foi abusada por esse monstro”, disse Almada*. Segundo ela, a irmã, de 11 anos, mora na Ilhinha e por volta das 6h da manhã já estava na sala do professor Chico Branco, localizada no São Francisco, mas, sempre quando saia de casa estava nervosa e quando chegava, na maioria das vezes, chorava.

Ainda afirmou que além da irmã ser violentada sexualmente pelo professor ainda sofria bullying, pois, era chamada por ele sempre de “Cricrizinha”.

Clara*, afirmou que Chico Branco convidou a sua sobrinha, de apenas 14 anos, para ir ao motel. Ainda dizia que era uma bela mulher e devia ser apreciada por ele. “Esse homem deve continuar na cadeia, pois, as crianças do São Francisco e da Ilhinha devem ser felizes e pararem de ser abusada por esse monstro”.

Segundo informações de parentes de vítimas, somente essa semana, várias denúncias foram feitas contra Chico Branco, no 9º Distrito Policial, no São Francisco, e também na DPCA, na Beira-Mar.


MEMÓRIA

Francisco de Assis, “Chico Branco”, 55 anos, foi preso na tarde desta quarta-feira (20), acusado de aliciar uma aluna de apenas oito anos. O crime aconteceu dentro de uma escola de reforço, localizada no bairro São Francisco, por volta das 16h.

Ele improvisou uma escola em sua própria casa e ministrava diariamente aulas particulares de Matemática nos turnos manhã, tarde e noite.

A escola era freqüentada por várias crianças que moram no bairro. Além de ministrar aulas, Chico Branco organizava festas em datas comemorativas com sorteios de brindes, e frequentemente organizava atividades de lazer, como idas às praias da capital.

Segundo a polícia, o crime foi descoberto após a mãe da vítima notar diversas mudanças no comportamento da filha. Diariamente, a garota permanecia na escola até mais tarde e sempre aparecia com dinheiro. Após muita insistência da mãe, ela contou que o professor a beijava e passava as mãos em seu corpo.

De acordo com o acusado, a menina ficava até mais tarde em sua casa, ajudando na arrumação e limpeza da sala de aula, uma vez que, segundo ele, a família não tinha condições de pagar a mensalidade.

Para comprovar o abuso a mãe deixou que a filha continuasse na casa do acusado após as aulas, como já era de costume. No entanto, ela instruiu a menina que no momento em que Francisco de Assis iniciasse as investidas, ela deveria dar um sinal, o qual foi sinalizado através de um grito.

Assim, foi constatado o flagrante, a polícia foi acionada, em seguida o professor foi preso e levado para a DPCA onde vai lavrado o flagrante. Em seguida, foi transferido para o Centro de Triagem de Pedrinhas.

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