sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

PMs do batalhão de São Cristóvão são presos ao se recusarem a efetuar patrulhamento

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POR Luarlindo Ernesto

Rio -  Os policiais militares do 4º Batalhão da Polícia Militar, na Rua Francisco Eugênio, São Cristóvão, na Zona Norte, que se recusaram a sair às ruas em patrulhamento, foram presos, administrativamente, por ordem do comando. A Corregedoria da PM foi notificada e está enviando equipe para o local.
PM some das ruas
As primeiras horas da greve decretada em assembleia na Cinelândia, na noite de quinta-feira, por policiais militares e civis e bombeiros, foi de policiamento escasso nas ruas e de aparente tranquilidade na madrugada desta sexta-feira. Vários PMs e bombeiros estão aquartelados. Nas ruas, não foram vistas viaturas baseadas em pontos comuns, como a Avenida Brasil e as linhas Vermelha e Amarela. Em nota, a PM informou que a corporação está atuando plenamente sem prejuízo à população, com apoio dos batalhões de Choque (BPChq) e de Operações Especiais (Bope) no patrulhamento.
Em uma primeira nota, divulgada no início da madrugada, a PM negou que o comandante-geral da corporação, coronel Erir Ribeiro Costa Filho, ou qualquer outro integrante do comando tenha deixado o cargo. A liderança do movimento grevista convocou uma coletiva de imprensa, às 10h, na sede da Coligação dos Policiais Civis, no Centro.




Em Botafogo, policiais de plantão do 2º BPM (Botafogo) se concentraram na porta do quartel, na Rua São Clemente, com os giroscópios das viaturas ligadas. Líderes do movimento tentavam convencer os colegas de farda a se aquartelarem. Um policial chegou a dizer que os policiais estavam em estado de prontidão. Na Rua Voluntários da Pátria, na altura da Praia de Botafogo, os bares estavam lotados e funcionavam normalmente.
Na 22ª DP (Penha), policiais do 16º BPM (Olaria) que estavam em ronda nas ruas, se concentraram e partiram em comboio para a sede do batalhão, na Rua Paranapanema, onde ficaram aquartelados. PMs que estavam de folga e integrantes do movimento grevista saudavam as equipes que chegavam com aplausos e palavas de ordem como 'juntos somos fortes', 'vergonha, salário sem vergonha' e 'Cidade Maravilhosa, o pior salário do Brasil'.

Os manifestantes também exibiam faixas e reivindicavam a libertação do cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, preso na quarta-feira, acusado de incitação a greve. Alguns policiais do Batalhão de Campanha, responsável pelo patrulhamento no Complexo do Alemão, teriam aderido. Uma patrulha do Exército chegou a circular próxima ao 16º BPM no início da chegada dos PMs.

Na Zona Sul, policiais do 23º BPM (Leblon) chegaram a se concentrar na porta da 15ª DP (Gávea). Eles, porém, decidiram não ficar aquartelados. No entanto, cabines localizadas na Avenida Borges de Medeiros estavam acesas, mas vazias. Numa delas, localizada em frente ao Cine Lagoon e à sede do Flamengo, duas equipes da Guarda Municipal estavam baseadas.

No Centro, até às 5h não haviam sido registradas ocorrências na 6ª DP (Cidade Nova), central de flagrantes da região. Segundo um policial civil, nenhuma guarnição da PM esteve na delegacia para comunicação de crime. Na Candelária, o trailler da PM baseado em frente ao Centro Cultural Banco do Brasil estava vazio.

Durante a madrugada, alguns batalhões não atenderam ao telefone. Na maioria, PMs de plantão informavam que suas áreas de policiamento estavam calmas. No Instituto Médico Legal (IML), em São Cristóvão, o funcionamento foi normal durante a madrugada. Segundo um policial, o recolhimento de corpos está sendo feito normalmente.

A equipe do Dia circulou pelas principais vias do Rio. Na Avenida Brasil, não foram encontradas viaturas que geralmente ficam baseadas no trecho entre o Caju e o acesso a Ilha do Governador. Na Linha Vermelha, a torre de controle da PM que fica na altura do Estádio de São Januário estava apagada e não havia policiais. Na Linha Amarela também não foi verificado baseamento de viatura. Motoristas contaram que no trajeto do Engenho de Dentro, na Zona Norte, até o Centro, não foi verificado policamento ostensivo nas ruas até o início da manhã desta sexta-feira.

Os grevistas reivindicam piso salarial de R$ 3.500, jornada de 40 horas de trabalho, auxílio transporte e auxilio alimentação de R$ 350, além da libertação do cabo Benevenuto Daciolo.

Falta de informação e dúvida

Desinformação e expectativa. Esse era o clima de populares no fim da madrugada desta sexta-feira, quanto à decretação da greve da polícia e dos bombeiros do Rio. Muita gente ainda não sabia da paralisação. Quem sabia, prefere esperar mas já se programa caso a paralisação traga um clima de insegurança.

A auxiliar de serviços gerais Rejane Gomes de Oliveira, de 39 anos, só ficou sabendo da greve às 4h, através de uma colega de trabalho. Funcionária de um bar na Rua do Lavradio, ela caminhou a pé até a Central do Brasil onde seguiria para casa, em São Gonçalo, Região Metropolitana. Durante o trajeto e no período de uma hora em que ficou na Central ela não viu viaturas em patrulhamento nas ruas.

"Como é que vai ser. O carnaval está perto. Será que aqui vai ficar igual na Bahia?", disse se referindo a onda de violência no principal estado do Nordeste. Ela também não descatou a hipótese de não trabalhar nesta sexta-feira, caso perceba um aumento no clima de insegurança ou possíveis atos de violência durante o dia.

Morador de Cachoeira de Macacu, o operador Camilo Conceição Rodrigues, de 31 anos, disse que não viu policiais nas ruas durante o trecho da Rodovia Niterói-Manilha até os acessos ao Rio, como Viaduto do Gasômetro e Elevado da Perimetral.

"Vou ver como será a repercusão da greve hoje. Mas, vou deixar meu chefe de sobreaviso", disse prevenido o funcionário de uma fábrica em Jacarepaguá, Zona Oeste, também não descartando a hipótese de pedir dispensa devido a paralisação de PMs, policiais civis e bombeiros.

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