quarta-feira, 30 de maio de 2012

(29/05/2012 - 13:05) - TJ mantém valor integral da aposentadoria de servidora com doença grave

 
A 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, em sessão nesta terça-feira (29), manteve sentença da 4ª Vara da Fazenda Pública, que determinou ao município de São Luís e ao Instituto de Previdência e Assistência Municipal (IPAM), a correção dos valores de aposentadoria de uma servidora acometida por câncer, sob pena de multa diária no valor de R$ 5 mil.

O Município e o IPAM recorreram, alegando que a remuneração da servidora era composta de vencimento base e anuênio, não integrando os adicionais de insalubridade e de urgência e emergência, que teriam caráter transitório e não extensíveis à inatividade.

A servidora levantava regra constitucional que assegura cálculo diferenciado em casos de aposentadoria por doença grave, sendo entendimento dos tribunais a concessão com base no último vencimento, sem qualquer sujeição a cálculos aritméticos.

Para a relatora, desembargadora Nelma Sarney, não caberiam alterações na decisão, uma vez que seria correto considerar que à aposentadoria por invalidez decorrente de doença grave não se aplicam os critérios de cálculo alegados pelo Município.

O desembargador Marcelo Carvalho (revisor), endossou o entendimento, destacando que o tipo de doença da servidora é imprevisível, sendo esse o momento em que o cidadão mais necessita de seus vencimentos para buscar a cura.

O juiz Tyrone Silva (convocado) também ressaltou a necessidade de a Justiça intervir em situações de doença ou velhice, enxergando o cidadão e garantindo o princípio da dignidade da pessoa humana.

Juliana Mendes
Assessoria de Comunicação do TJMA
asscom@tjma.jus.br
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Garantido tratamento de Presos com Doenças Mentais


Froz Sobrinho propôs que o julgamento dos processos dos presos que apresentam problemas psiquiátricos seja feito de forma diferenciada

A adoção de medidas de segurança aplicadas aos presos com doenças mentais foi o principal assunto de uma reunião entre o coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário do Tribunal de Justiça, desembargador Froz Sobrinho, e os secretários estaduais de Saúde e de Justiça e Administração Penitenciária, respectivamente, Ricardo Murad e Sergio Tamer. No encontro, ficou decidido que as duas secretarias irão garantir assistência médica aos detentos que cumprem medida de segurança.
O objetivo é criar uma rotina processual e procedimental entre os juízes e os responsáveis pelas duas secretarias de Estado para encaminhamento e tratamento dos presos com doenças mentais”, informou o desembargador, que propôs que o julgamento dos processos dos presos que apresentam problemas psiquiátricos seja feito de forma diferenciada.
Inspeção – A assistência médica aos presos com doenças mentais pela Secretaria de Saúde do Estado e Sejap foi definida após inspeção realizada, em abril, pelo juiz Douglas Melo Martins e o Grupo de Monitoramento Carcerário do TJMA na Centro de Detenção Provisória (CDP) e na Central de Custódia e Presos de Justiça (CCPJ) foi constatada situação de abandono familiar, falta de acompanhamento médico psiquiátrico e assistência social aos presos em medida de segurança.
Durante a inspeção – motivada por denúncias de irregularidades no tratamento aos presos com doenças mentais – foram analisados prontuários e realizadas entrevistas com os presos que cumprem medida de segurança.
“Pelas condições de saúde, estes presos devem cumprir a medida de segurança em local que ofereça tratamento adequado e separados das pessoas que aguardam por julgamento, mas que têm condições de discernimento de todos os seus atos”, ressaltou Douglas Martins.
Assessoria de Comunicação do TJMA
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Cansado de fugir, suspeito de matar amante da esposa se entrega em SE

http://g1.globo.com/se/sergipe/noticia/2012/05/cansado-de-fugir-suspeito-de-matar-amante-da-esposa-se-entrega-em-se

 

Crime ocorreu em 2006 na cidade de Simão Dias, a 100 km de Aracaju.
Após o crime, ele fugiu para uma cidade na região Sul da Bahia.

suspeito de assassinar a tiros o amante da companheira em 2006 na cidade de Simão Dias (SE), distante 100 km da capital sergipana, decidiu se entregar à polícia após seis anos foragido em uma cidade no Sul da Bahia.
O homem, de 43 anos, conhecido como ‘Joãozinho’, procurou ajuda em uma rádio de Simão Dias, para intermediar sua prisão junto ao delegado do município, Eurico César, que assegurou todos os direitos constitucionais ao foragido. Segundo a polícia, ele estava cansado de fugir e por isso resolveu se entregar.
Delegado detalha prisão de suspeito de pedofilia (Foto: Flávio Antunes/G1 SE)Delegado Eurico César (Foto: Flávio Antunes/G1 SE)
A vítima mantinha um relacionamento amoroso com a mulher do suspeito, conhecida como ‘Meirinha’. Após descobrir o caso extraconjugal da esposa, o suspeito procurou a vítima para tirar satisfações e acabou sendo agredido fisicamente. Inconformado, Joãozinho procurou seu patrão conhecido como 'Miúdo', e contou o que havia ocorrido.
O patrão tomou as dores do funcionário e foi procurar amante para tirar satisfações, mas acabou apanhando também. A partir dessas brigas, Joãozinho e Miúdo se reuniram e exigiram que Meirinha marcasse um encontro com o amante às margens do Rio Caiçá.
“O encontro na verdade era uma emboscada. Quando os dois chegaram, Meirinha saiu e seu amante acabou atingido com um tiro de escopeta calibre 12 na cabeça e outro no pescoço”, disse o delegado Eurico César.
Meirinha foi presa em 2007 e Miúdo ainda está foragido.

Americanos deixam pedras espiãs no Afeganistão

http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common

Editora Globo
"Estamos te ouvindo" // Crédito: Shutterstock
Acredita-se que a maior parte das forças americanas no Afeganistão já terão partido em 2014. Mas isso não quer dizer que o exército irá parar de observar o país. Para continuar monitorando a situação por lá, mesmo a distância, foi desenvolvido uma espécie de sensor pequeno, do tamanho da palma da mão, que deve auxiliar as poucas tropas que ficarem.
Esses sensores deverão estar, literalmente, jogados no chão do país, detectando qualquer movimento próximo e transmitindo informações para centros de controle. Alguns ficarão enterrados, outros disfarçados de pedras – a ideia é que eles sejam completamente imperceptíveis. Com baterias solares carregadas constantemente, acredita-se que as máquinas podem durar até 20 anos.
Apesar da tecnologia usada nesse dispositivo ser nova, a ideia é velha: em 1966, os americanos espalharam monitores acústicos nos lugares mais freqüentados de Saigon, no Vietnã. É uma forma de controlar grandes lugares com um contingente reduzido.
O teste inicial será feito no Afeganistão, mas já existem planos de colocar o mesmo tipo de sensor na fronteira mexicana com os EUA

terça-feira, 29 de maio de 2012

Dilma sanciona lei que cria banco de DNA de criminosos no país

http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2012/05/dilma-sanciona-lei-que-cria-banco-de-dna-de-criminosos-no-pais.

 

Lei obriga identificação genética de condenados por crimes violentos.
No RS, mesmo com sistema do FBI, investigação ainda é limitada.


A presidente Dilma Rousseff sancionou a lei que cria um banco de DNA de condenados por crimes violentos. A lei 12.654 foi publicada nesta terça-feira (29) no "Diário Oficial da União" e entra em vigor em 180 dias.
A lei torna obrigatória a identificação genética, por meio de DNA, de condenados por crimes hediondos ou crimes violentos contra a pessoa, como homicídio, extorsão mediante sequestro, estupro, entre outros. O objetivo é utilizar os dados colhidos nas investigações de crimes cometidos por ex-detentos, ou seja, os reincidentes.
De acordo com o texto, os condenados "serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor". "A identificação do perfil genético será armazenada em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo."
A polícia poderá requisitar ao juiz o acesso ao banco de dados. A lei prevê punição "civil, penal e administrativa àquele que permitir ou promover a utilização (dos dados) para outros fins".
Em Porto Alegre, a perícia de crimes é feita pelos peritos do Instituto Geral de Perícias (IGP). O laboratório utiliza até um sistema do FBI, chamado Codis, para cadastrar o DNA e fazer as comparações de perfis genéticos. Sem um banco de dados nacional implantando até então, no entanto, a amostra não tinha como ser comparada à de criminosos pelo país.
Com a nova lei, os peritos esperam ser possível qualificar o acervo, incluindo amostras de referência. "Vamos ter muitos perfis para inserir. Para nós, essa lei é essencial. Com certeza muitos presos fazem parte de crimes ainda não solucionados", avalia a perita forense Cecília Helena Fricke Matte.
No Brasil, existem 17 laboratórios para análises genéticas com o sistema Codis, que passou a ser usado em 2011. Apenas a Polícia Federal centraliza esse cruzamento, o que deve continuar com a nova lei. Ainda assim, no Brasil o cruzamento não deve levar ao perfil de uma pessoa, mas sim, ao processo pelo crime ao qual ela responde. "Não existe aquela cena de filme, em que o resultado da pesquisa mostra até fotos de pessoas", explica a perita.
A definição das regras do banco de dados contou com a participação do Ministério Público e de organizações de Direitos Humanos.
Segundo o texto da nova lei, "as informações genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos não poderão revelar traços somáticos ou comportamentais das pessoas, exceto determinação genética de gênero, consoante as normas constitucionais e internacionais sobre direitos humanos, genoma humano e dados genéticos".
Como funcionaA experiência no IGP é uma das referências. O instituto serve como laboratório-escola, recebendo peritos de outros estados para treinamentos e cursos. As informações colhidas, porém, não são compartilhadas com outros estados.
O banco de dados do IGP conta apenas com perfis genéticos obtidos por meio da análise de amostras recolhidas em cenas de crime, como sangue, fios de cabelo, ossadas e objetos que podem ser tocados -são cerca de 300 atualmente. São os chamados vestígios forenses. Com eles, é possível tentar individualizar o perfil de quem seria o criminoso.
A partir de gráficos gerados no software (foto abaixo), os peritos investigam parte do DNA. "Buscamos regiões e fatores dentro do DNA que possam individualizar o perfil. Isso tudo é feito a partir de dados estatísticos sobre os perfis de DNA mais ou menos comuns em cada região. Quando cruzamos todas as informações disponíveis, conseguimos esse individualismo", explica a perita.
Amostras de código genético no IGP, em Porto Alegre (Foto: Jessica Mello/G1)Amostras de código genético no IGP, em Porto Alegre (Foto: Jessica Mello/G1)
A prioridade de investigação é para crimes violentos com chance de reincidência, como agressões sexuais, homicídios e roubos a banco. Cada perfil genético é identificado por um código relacionado ao número do processo do crime.
Depois de recolhidas, as amostras passam por quatro etapas até que o perfil genético seja gerado no computador e depois incluído no Codis para o cruzamento de informações (Veja passo a passo ao final da reportagem).
Para evitar a contaminação das amostras, os peritos trabalham com máscaras, luvas e jalecos. Durante a visita do G1 ao laboratório, a equipe de reportagem teve de vestir roupa especial quando se aproximou de objetos analisados, como um boné e um óculos. Todo o processo leva cerca de duas semanas.
Sala em que é feita a extração das amostras no laboratório (Foto: Jessica Mello/G1)Sala em que é feita a extração das amostras no laboratório (Foto: Jessica Mello/G1)
Casos solucionados a partir do banco
Os perfis são úteis quando a polícia tem suspeitos para o crime. "Em um assalto a banco, por exemplo, não adianta pegar um fio de cabelo qualquer para análise. Geralmente pegamos filmagens para ver por onde o assaltante passou, se ele se feriu", diz a perita. Nesse caso, o DNA é coletado apenas com autorização judicial.
Foi o que ocorreu em um caso de estupro que ajudou a solucionar outros dois crimes. De posse do material do suspeito de um deles, o sistema indicou que o material genético dos três casos, em três vítimas diferentes, pertencia ao mesmo agressor. "A partir de um caso descobrimos o agressor das outras duas vítimas", conta Cecília.
Etapas para a análise de amostras após perícia no local do crime:
Sala em que são analisados os objetos das amostras (Foto: Jessica Mello/G1)
1 - As amostras recolhidas são analisadas pelos peritos, que buscam algum vestígio de DNA, por exemplo, manchas de sangue em um lençol
Laboratório de análises do IGP (Foto: Jessica Mello/G1)
2 - O vestígio encontrado é extraído para garantir maior eficiência às análises
Sala em que são analisadas as amostras de DNA (Foto: Jessica Mello/G1)
3 - Os reagentes são preparados para multiplicar as cópias de DNA. As amostras precisam "descansar" de um dia para o outro para chegar ao estado adequado
Laboratório de análises do IGP (Foto: Jessica Mello/G1)
4 - Os perfis genéticos são gerados por um sequenciador, que insere os dados em um computador. Após finalizado todo o processo, os perfis vão para o sistema Codis

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Os bandidos Franklin Wellington dos Santos e Leandro Mozart são considerados de alta periculosidade.

  http://www.marcoaureliodeca.com.br/2012/05/28/franklin-wellington-e-leandro-mozart/

Os bandidos Franklin Wellington dos Santos e Leandro Mozart são considerados de alta periculosidade.
Condenados em Imperatriz, cumpriam pena por assassinatos, roubos e outros crimes no presídio daquele município.
Foram transferidos para a Penitenciária de Pedrinhas, sem maiores explicações do sistema penitenciário.
Franklin Wellington e Leandro Mozart desapareceram do presídio em São Luís no final de abril, sem deixar vestígios.
Para policiais e investigadores do Ministério Público, os dois empreenderam fuga após ter a saída facilitada pela segurança do presídio.
O caso ganhou pouca repercussão por que, na época da fuga, ainda era forte o burburinho relacionado à morte do jornalista Décio Sá.
A polícia também parece pouco interessada no esclarecimento desta fuga e na recaptura dos criminosos.
Será por quê???
Polícia e Justiça

A “metafísica” dos malucos-beleza

Compositor baiano é tema de documentário que enfrenta temas controversos como drogas, magia negra e tumultuadas relações familiares  

A estreia de Raul – o Início, o Fim e o Meio, quinto longa do festejado fotógrafo Walter Carvalho, se dá sob a expectativa de aumento dos minguados borderôs dos documentários brasileiros. 

O filme, que tem potencial para bater muitas ficções nacionais, pretende -- como brinca seu realizador -- “mexer com a metafísica” dos malucos-beleza e tocar a sensibilidade dos espectadores comuns. Há indícios de que ele possa superar os bem-sucedidos Vinícius (270 mil espectadores), Uma Noite em 67 (80 mil) e A Música Segundo Tom Jobim (70 mil).             
O maior trunfo do documentário de Walter Carvalho é seu personagem, o roqueiro baiano Raul Seixas (1945- 1989) que deixou depois de intensa, mas breve vida, ampla legião de fãs e seguidores. Outro trunfo é a ótima recepção de Raul nos festivais, nos quais conquistou prêmios de júris populares, júris oficiais (melhor documentário no Festival do Rio e na Mostra Internacional de SP) e Prêmio da Crítica Cinematográfica (no Festival Aruanda, na Paraíba). São poucos os filmes que conseguem sensibilizar, ao mesmo tempo, a crítica, o público e os júris oficiais.             
Outro ponto forte do documentário está na participação de Paulo Coelho, parceiro musical de Raul e autor de obra literária das mais controvertidas. Depois de assistir ao filme, até o mais empedernido de seus críticos será compelido a admitir que a participação do autor de O Alquimista é ousada, corajosa e essencial à narrativa. Afinal, Paulo Coelho rompe com a “cordialidade” presente em centenas de testemunhos sobre a trajetória de artistas brasileiros. Estes, quando ganham cinebiografias (em vida ou póstumas), são transformados em santos. Além de não fugir de nenhum assunto, o letrista de Al Capone enfrenta todas as perguntas com franqueza, abordem o consumo de drogas, magia negra ou dificuldade de relacionamento entre parceiros.         
Outros pontos fortes do filme estão na riqueza das imagens de arquivo selecionadas e na busca de novas vozes para a construção do perfil do biografado. Nomes onipresentes, como Nelson Motta, foram convocados mais uma vez, mas o cineasta apostou também em figuras raras e capazes de arejar os “filmusicais” brasileiros (caso de Bráulio Tavares).  
No campo das imagens, graças aos esforços dos produtores (Alain Fresnot e Denis Feijão) e do craque da prospecção de arquivos Antônio Venâncio, é possível ver trechos de Balada Sangrenta (com Elvis Presley fazendo jus, mais que nunca, ao apelido de Elvis Pélvis) e de Sem Destino, o filme de Dennis Hopper que marcou profundamente a década de 1970. No terreno das imagens brasileiras, há também ótimas novidades. As mais incríveis são registros da adolescência de Raul em Salvador.               
Por fim, há que destacar os esforços da equipe para equacionar interesses e brigas dos herdeiros de Raul (cinco ex-mulheres e três filhas estadunidenses ou brasileiras). Ao conseguir acessar todas as viúvas e filhas (mesmo que uma delas, nascida nos EUA e muito conservadora, nada queira dizer sobre o pai biológico), o filme apresenta rico e matizado retrato do cantor. Raul viveu de influências da música norte-americana e brasileira e, no plano sentimental, agiu da mesma forma. Casou-se com moças anglo-saxãs e também com as daqui.          
Asa Branca
Raul – o Início, o Fim e o Meio começa com o compositor paraibano, Bráulio Tavares (conterrâneo de Walter Carvalho) declamando o poema Uivo, de Allen Ginsberg, e com evocações da geração beat imantadas por imagens dos motoqueiros de Easy Rider (Sem Destino). Em seguida, vemos a imagem de motoqueiro-fã-e-sósia de Raul, sob os acordes de Asa Branca, clássico de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.              
Nordestino como Raul, Walter Carvalho faz de seu filme uma soma permanente de influências anglo-saxãs e brasileiras. Em moldes semelhantes aos de Let Me Sing, música que revelou o compositor e cantor baiano num festival de MPB e que somava rock e baião.
Walter justifica a significativa participação do conterrâneo Bráulio Tavares no filme: “ele é poeta, músico, compositor, escritor, jornalista e filósofo. Somos amigos desde quando morávamos na Paraíba. Falar de música sem consultar Bráulio seria um erro sem par”. E por quê? “Por muitos motivos, inclusive por sua capacidade de síntese e clareza ao formular seus pensamentos”.              
Há duas outras fortes razões: “Bráulio é da minha geração e como Raul foi roqueiro e fez parte da banda de rock Os Sebomatos, em Campina Grande, na mesma época em que Raulzito atuava, em Salvador, com Os Panteras”. E “Bráulio foi cabeludo, roqueiro e fã de Elvis Presley e como quase todos da nossa geração assistiu ao filme King Creole (Balada Sangrenta/1958) repetidas vezes só para ver o desempenho do cantor americano no filme de Michael Curtiz”.     
Magia negra
A entrevista com Paulo Coelho, o mais poderoso trunfo do filme, nasceu cercada de dificuldades. Walter lembra que fez inúmeros contatos com os agentes do escritor para marcar o encontro. A agenda complicada e os muitos compromissos internacionais de Paulo Coelho geraram várias respostas negativas.       
O cineasta sabia que, sem o depoimento do principal parceiro de Raul Seixas, o filme sofreria “perda muito significativa”. A situação mudou quando, “um dia, em sua casa na Suíça, Paulo Coelho assistiu, na TV, a retrospecto da vida do Raul Seixas, realizado por ocasião dos 20 anos de sua morte. Ao deparar- se com depoimento de Sylvio Passos no qual ele se referia a mim como um cara sério que estava fazendo um filme também sério sobre Raul, as coisas começaram a mudar”. Paulo Coelho, amigo de Sylvio desde os tempos da parceria com Raul Seixas, decidiu que falaria com Walter Carvalho.       
“Marcamos data” – conta o cineasta – “e fomos ao encontro dele em sua casa, na Suíça. Ele nos recebeu com generosidade e comentou que pesara também a recomendação vinda do compositor Roberto Menescal”. Acompanhado do assistente Leonardo Gudel, Walter resolveu pesquisar nas páginas dos livros do escritor-compositor as perguntas relacionadas ao período em que, juntos, eles produziram mais de 30 canções, entre elas os megassucessos Gita, Sociedade Alternativa, Medo da Chuva, Tente Outra Vez, Como Vovó Já Dizia (apelidada de Óculos Escuros) e Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás.
No acerto com o cineasta, Paulo Coelho avisou que se submeteria ao ritual de perguntas por exatos 45 minutos. “Chegamos na hora marcada”, relembra Walter. “Fomos recebidos pela governanta, que pediu que esperássemos, pois o escritor estava se exercitando nas montanhas”. Walter, fotógrafo experiente de quase uma centena de curtas e longas, escolheu o lugar ideal para ambientar a conversa, enquanto seu filho Lula Carvalho (fotógrafo dos dois Tropa de Elite) preparava a luz e a câmera, e Evandro Lima cuidava da equalização dos microfones”.          
Paulo Coelho chegou acompanhado da mulher Christina Oiticica. “No início da primeira pergunta” – conta o cineasta – “ele fez alusão aos 45 minutos pré-estabelecidos. Lembrei que esse tempo seria pouco para rememorar suas parcerias com Raul. O papo fluiu de tal forma, que nossa conversa durou exatamente 2 horas e 15 minutos”.      
Além de falar sem travas sobre os temas mais espinhosos, Paulo Coelho proporcionou ao filme uma de suas sequências mais hilariantes e intrigantes. Walter Carvalho a rememora: “a conversa se enriqueceu com a inesperada presença de uma mosca que surgiu ali mesmo, na asséptica Suíça”. Para “estranheza do escritor que ponderou diante da câmera não haver moscas em Génève, que aquilo só podia ser a presença inusitada do Raul naquele momento mágico da nossa conversa”.       
O autor de Diário de Um Mago não esconde os tempos em que ele e outros discípulos brasileiros do ocultista britânico Aleister Crowley (1875- 1947) se envolveram com magia negra/ satanismo. E o filme cresce ao explorar, com astúcia, a presença do ocultista Euclides Lacerda (que morreria algum tempo depois das filmagens) e seu ajudante fiel, Tonino Buda (que hoje vive em Juiz de Fora). Numa caverna, eles asseguram que Paulo Coelho continua sendo “integrante” da sociedade satânica à qual se filiou décadas atrás. De sua mansão na Suíça, Coelho diz que aquilo é passado. Euclides, sempre assistido pelo fiel Buda, discorda. O efeito cômico das ironias de Paulo Coelho diverte a plateia.    
Drogas e família
No terreno das drogas, tema fundamental na história de Raul Seixas, o filme também avança bastante se comparado aos documentários já feitos sobre personalidades culturais brasileiras. Paulo Coelho não esconde nada. Diz que ele e Raul consumiram todas as drogas disponíveis no período. E que eram muitas. O letrista as enumera, sem se preocupar se está chocando seu público contemporâneo, tão diferente dos roqueiros, hippies e malucos-beleza da década de 1970.           
Os efeitos devastadores das drogas sobre o organismo de Raul (inclusive seu vício em cheirar éter, mesmo já bastante doente) ganham relevo (sem nenhum sensacionalismo) na narrativa. Na fase final de sua vida, já longe das ex-mulheres, das filhas e da mãe (que morava na Bahia), Raul encontrou na empregada da família, Neusa, uma companheira fiel (uma das ex-esposas do compositor chega a insinuar que a doméstica era apaixonada pelo frágil patrão).        
Outro companheiro fiel de Raul Seixas foi o roqueiro baiano Marcelo Nova (ex-Camisa de Vênus). Fã assumido do cantor, ele produziu temporada de shows protagonizados pelos dois em grandes palcos brasileiros. O show derradeiro, no Gran Circo Lar, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, é visto no filme em imagens tocantes. Muito doente e delibilitado, Raul consumia suas últimas energias para cantar, sem a potência de outrora, alguns de seus maiores sucessos.            
O criador do hit Ouro de Tolo perderia a vida em 1989, com apenas 44 anos, para entrar na história da música popular brasileira, deixando uma legião de inconsoláveis fãs. Alguns fanáticos como Pena Seixas, que se veste como se fosse um Raul reencarnado e que batizou o filho com o nome do ídolo. Tamanha devoção custou-lhe o fim do casamento. Pai e filho seguem juntos, fieis à memória e à obra de Raul.