- A pesquisa Datafolha que mostrou queda de 42% para 23% na avaliação positiva do governo da presidente Dilma Rousseff deixou integrantes do núcleo do Palácio do Planalto desorientados.
Já havia a expectativa de queda, por causa das medidas impopulares do ajuste fiscal e do escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras. Essa queda inclusive já era registrada em alguns levantamentos aos quais o governo teve acesso.
Mas, nas palavras de um ministro próximo de Dilma, nem no pior cenário se imaginou que a popularidade do governo fosse despencar com apenas um mês do novo mandato.
A partir de hoje, integrantes do grupo da articulação política do governo devem analisar formas de estancar a hemorragia na popularidade da gestão de Dilma. Depois, ao longo dos próximos quatro anos, tentarão recuperar a avaliação positiva.
Internamente, há o reconhecimento de que é preciso, de fato, vencer a batalha da comunicação. Auxiliares do governo estão incomodados com o silêncio da presidente, que não concede entrevista desde o final do ano passado, e só fez dois pronunciamentos desde então, sem a possibilidade do contraditóro. Um pronunciamento em um evento do PT, na última sexta-feira, e na reunião ministerial do final de janeiro
Parlamentares que integram o grupo mais próximo do ex-presidente Lula na bancada do PT também estão assustados com os números. Na bancada, a avaliação é que Dilma não tem demonstrado capacidade de reagir à agenda negativa e retomar o comando do país. Esses parlamentares ressaltam que o afastamento progressivo de Lula ajudou a isolar ainda mais o Palácio do Planalto da base social do governo.
Nas palavras de um senador petista, Dilma precisa se reaproximar de Lula, seu principal conselheiro político do primeiro mandato.
No Planalto, também há o reconhecimento de que a relação entre Dilma e Lula ficou mais distante. Mas também há o reconhecimento de que independente dos problemas políticos com o PT e com a base aliada no Congresso Nacional, é preciso tentar reagir em relação ao impacto negativo do ajuste fiscal, demonstrando que são medidas necessárias para preservar conquistas sociais.
O governo também tenta encontrar um discurso novo para a crise energética e a crise de abastecimento nos estados. Também está sendo pensada uma nova abordagem em relação ao escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras, que tem sangrado a avaliação positiva do governo.
Uma coisa é certa. Com a avaliação positiva despencando, o governo sabe que enfrentará uma resistência ainda maior de sua base aliada no Congresso Nacional, o que deixará a presidente Dilma Rousseff refém dos partidos governistas, que não escondem sua insatisfação com o governo, como o PMDB.
"Num momento de fragilidade política, será preciso ter como prioridade recuperar a relação com a base aliada no Congresso Nacional. Essa não é a hora para deixar um flanco aberto, tanto na Câmara quanto no Senado", observou esse ministro próximo à presidente Dilma.por Gerson Camarotti
Boas vindas e boa leitura é o que desejamos a todos que acessarem este blog, aqui trataremos de temas variados, mas de interesse público e do público: direitos humanos, educação, cultura, segurança pública, política etc.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
COLAPSO DO SISTEMA PENITENCIÁRIO: TRAGÉDIAS ANUNCIADAS
http://institutoavantebrasil.com.br/colapso-do-sistema-penitenciario-tragedias-anunciadas/
Levantamento realizado pelo Instituto Avante Brasil, com dados disponibilizados pelo InfoPen, mostra que o crescimento da população carcerária nos últimos 23 anos (1990-2013) chegou a 507% (de 90 mil presos passamos para 574.027). A população brasileira (nos anos indicados) cresceu 36%. Apesar de tantas prisões, nenhum crime diminuiu nesse longo período no Brasil (o que constitui uma prova de que a estratégia não está surtindo o efeito esperado).
Veja o levantamento completo aqui: Sistema Penitenciário Brasileiro em junho de 2013
Só nos últimos 10 anos (2003-2013), o aumento foi de 86% (a população brasileira no período cresceu menos de 15%). Em junho de 2013 a taxa de presos era de 300,96 por 100 mil habitantes, de acordo com o Depen (contra cerca de 700 para 100 mil nos EUA e média de 100 para 100 mil na Europa, que experimentou o capitalismo distributivo nas décadas de 60/80, melhorando extraordinariamente a escolaridade, a renda per capita assim como a expectativa de vida).
Enquanto a população nacional cresceu 1/3 (de 1990 a 2013), a população carcerária mais que sextuplicou. No primeiro ano do governo Lula (2003) aconteceu o mais explosivo aumento na população carcerária do nosso País, de 28,8% (68.959 em número absoluto). É da História do Brasil (e do mundo) o seguinte: todas as vezes que algum movimento de esquerda avança com o discurso dos direitos políticos, civis e sociais, o conservadorismo recrudesce (defesa orgânica). Isso voltou a acontecer depois das jornadas de 2013 (veja Paulo Arantes, professor de filosofia da USP).
O colapso do sistema penitenciário brasileiro (sistema de barbárie) está mais do que evidente. Boa coisa isso não sugere. Pode comprometer o futuro do Brasil. As instituições não estão acompanhando a velocidade das mudanças e transformações. Mais tragédias anunciadas podem ser previstas. Talvez até uma megarrebelião nacional, marcada pelo face ou pelo WahtsApp (com centenas ou milhares de mortos). Ou o nascimento de um novo crime organizado, tal qual o PCC (que surgiu como resposta à matança do Carandiru, em 1992). Não se pode desconsiderar que os crimes organizados já estão dominando os presídios e eles contam com forte poder de fogo (muitas armas), além de excelente comunicação (quantidade infinita de celulares).
O número de presos condenados cresceu 336%. Já o número de presos provisórios, responsável pelo abarrotamento dos presídios brasileiros atualmente, aumentou 1.231% (no mesmo período). Ou seja, o número de presos provisórios cresceu 13x, enquanto o de presos condenados aumentou apenas 4x (usa-se a prisão cautelar como pena antecipada; a prisão cautelar, no século XXI, é, em grande medida, o equivalente imoral da Inquisição nos séculos XVI-XVIII). Forma de contenção social (de controle social) de um determinado segmento da sociedade.
Mais de 40% dos presos hoje são provisórios. Pesquisa feita em parceria entre o Depen (Departamento Penitenciário Nacional) e o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontou que em 37,2% dos casos em que há aplicação de prisão provisória os réus não são condenados à prisão ao final do processo ou recebem penas menores que seu período de encarceramento inicial. O abuso prisional (sobretudo a partir do 1º governo Lula) está mais do que demonstrado (veja abaixo). Novamente: a prisão cautelar no século XXI se transformou no equivalente imoral da Inquisição dos séculos XVI-XVIII. Os que prendem abusivamente hoje são os torquemadas de ontem. Quem não tem capitalismo distributivo (melhoria da qualidade vida para todos), distribui dor e sofrimento, pancadaria e tortura, prisões e extermínios (seja para as vítimas, seja para os detidos).
Até junho de 2013, do total de presos no Brasil, 93,7% estavam no Sistema Penitenciário e 6,3% estavam sob custódia das polícias. O estado mais encarcerador do Brasil no ano de 2013 foi o Acre, que possui uma taxa de 520,8 por 100 mil habitantes. O TOP 5 dos estados com maior população carcerária por 100 mil habitantes são:
1. Acre (520,8)
2. Mato Grosso do Sul (519,1)
3. São Paulo (502,8)
4. Rondônia (494,7)
5. Distrito Federal (476,4)
Embora o número de vagas venha crescendo em termos absolutos nos últimos anos, o déficit entre o número de presos e o de vagas ainda é muito desproporcional. Em 2013, havia 296.294 presos além da capacidade dos presídios, que era de 317.733 vagas. Têm-se então uma taxa de ocupação de 1,8 presos por vaga no ano de 2013, ou seja, quase 2 presos por vaga.
Importante salientar que no relatório divulgado pelo InfoPen, apesar de o número de presos do Sistema Penitenciário e da Secretária de Segurança Pública serem computados em separado, o número de vagas foi unificado entre eles, causando a impressão de um menor número de presos por vaga do que realmente acontece na Polícia. Vários estados não informam o número de vagas na Polícia, inserindo seus presos no total de vagas do Sistema.
O encarceramento feminino também começa a apresentar os mesmos problemas do aprisionamento masculino. A População Carcerária Masculina cresceu 141% entre 2000 e 2013 (contra 257% da população carcerária feminina). Enquanto a população carcerária masculina mais que dobrou a feminina mais que triplicou nesse período (sobretudo em virtude do tráfico de drogas: as mulheres estão sendo escaladas para adotarem as posições mais vulneráveis na cadeia do tráfico de drogas). No ano 2000 eram 10.112 mulheres presas e em 2013* o número saltou para 36.135.
No Brasil, até junho de 2013, apenas 11% da população carcerária estava em atividade educacional. Entre as mulheres essa taxa era de 19%, enquanto entre os homens não passou de 10%. No total, 52.347 homens e 6.210 mulheres estudavam, ou seja, 108,9 para cada 1.000 presos. Entre 2009 e 2013 houve um aumento de 36,5% na participação dos presos na educação, contudo se considerarmos a evolução da participação pela taxa de 1000 mil presos, a evolução foi de 20%, no mesmo período.
No que tange às atividades laborais, apenas 22% dos encarcerados no Sistema Penitenciário Nacional estava envolvida em alguma atividade laboral até junho de 2013, entre trabalhos internos e externos. No total, 119.474 presos estão trabalhando, sendo 94.812 em trabalhos internos (17,6%) e 24.662 em trabalhos externos (4,6%), ou seja, 222 para cada 1.000 presos se encontram em atividades laborais. O estado com o maior número de presos trabalhando (tanto interna como externamente) foi Santa Catarina, local onde 45% da população nas penitenciárias exercia atividade laboral nesse período. Do total, 41% estavam em atividades internas e 4% em atividades externas. O estado com pior desempenho foi o Rio de Janeiro que, de acordo com a os números divulgados pelo InfoPen, registrou um total de 2,3% dos presos em atividade laboral em 2013. Desses, 1,8% faziam trabalhos internos e 0,5% externos.
Estima-se que 10,2 milhões de pessoas estejam presas, em todo o mundo. Se reportados também prisioneiros dos “centros de detenção” da China e o dos campos de prisioneiras na Coréia do Norte, esse total chegaria a 11 milhões. EUA, China, Rússia e Brasil têm as maiores populações carcerárias do mundo, o correspondente a 50% do total. Entre os países da América Latina, o Brasil é o país com a maior população prisional atualmente. Brasil, México, Colômbia e Peru são os 4 maiores encarceradores da região.
Em 2014, O CNJ apresentou um novo paradigma sobre o Sistema Penitenciário Brasileiro. Incluindo o número de presos em situação domiciliar houve um incremento no déficit de vagas e uma modificação no percentual de presos provisórios no Brasil e nos Estados. Houve também um aumento no número total de presos, que colocaria o Brasil na terceira posição entre os países mais encarceradores do mundo, passando a Rússia e ficando atrás apenas de EUA e China.
De acordo com o CNJ, o panorama do Sistema Penitenciário seria:
População no sistema prisional: 567.655 presos
Capacidade do sistema: 357.219 vagas
Déficit de Vagas: 210.436
Pessoas em Prisão Domiciliar no Brasil: 148.000
Total de Pessoas Presas: 715.655
Déficit de Vagas : 358.219
Número de Mandados de Prisão em aberto no BNMP: 373.991
Total de Pessoas Presas + Cumprimento de Mandados de Prisão em aberto: 1.089.646
Déficit de Vagas : 732.427
Computadas as pessoas que estão em prisão domiciliar no Brasil, temos o seguinte ranking (2013):
Estados Unidos da América: 2.228.424
China: 1.701.344
Brasil: 715.592
Rússia: 676.400
Índia: 385.135
Tailândia: 296.577
México: 249.912
Irã: 217.000
África do Sul: 157.394
Indonésia: 154.000
Fechando escolas, para abrir presídios. O Brasil é um dos poucos países do mundo que está fechando escolas para abrir presídios. Estudo realizado pelo nosso Instituto Avante Brasil verificou (a partir dos dados do IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) que no período compreendido entre 1994 e 2009 houve uma queda de 19,3% no número de escolas públicas do país, já que em 1994 tínhamos 200.549 escolas públicas contra 161.783 em 2009. Em contrapartida, no mesmo período, o número de presídios aumentou 253%. Em 1994 eram 511 estabelecimentos, este número mais que triplicou em 2009, com um total de 1.806 estabelecimentos prisionais.
O encarceramento massivo no Brasil é aloprado porque 51% dos presos não praticaram crimes violentos, enquanto centenas ou milhares de violentos perigosos escapam do império da lei.
Solução? Existe. Mas enquanto o Brasil não mudar de patamar, indo para o 1º grupo do IDH (índice de desenvolvimento humano), nada se pode esperar de sustentável. Para que isso aconteça temos que melhorar muito a escolaridade, a renda per capita assim como a saúde (expectativa de vida) da população. Os países do 1º grupo do IDH são muitos menos violentos que o do 2º (e, com exceção dos EUA, prendem muito menos). Porque a prisão não é um instrumento de controle da população, sim, só acontece quando absolutamente necessária.
Vejamos:
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
Moradores das favelas são mais otimistas que brasileiros em geral, diz instituto
Rio de Janeiro- Para 93% dos moradores de favela, a vida vai melhorar em 2014, segundo divulgou o Instituto Data Favela, em sua primeira Radiografia das Favelas Brasileiras, apresentada hoje (4). Para encontrar esse resultado, a pesquisa ouviu 2 mil pessoas em 63 comunidades do país entre julho e setembro. "Os moradores das favelas mostraram mais otimismo do que os brasileiros em geral", analisou um dos fundadores do instituto, Renato Meirelles.
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Também indicando otimismo, 76% disseram acreditar que a favela onde moram vai melhorar. Por outro lado, 53% afirmaram já ter sofrido com falta de dinheiro para comprar comida. Além disso, cerca de 30% dos moradores de favelas brasileiras sofreram preconceito.
A pesquisa, que também usa dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Censo e da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), todos feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra uma evolução socioeconômica nas favelas, que, de 2003 a 2013, deixou de ter 65% de sua população na classe baixa para ter essa mesma proporção na classe média.
De acordo com a pesquisa, 75% acreditam que, daqui a dez anos, continuarão ou passarão a fazer parte da classe média, enquanto 10% têm a expectativa de ascender para a classe alta. Atualmente, 3% dos moradores de favela são da classe A, enquanto 32% são das classes D e E.
O crescimento da renda dessa população se reflete no acesso a bens: 99% já têm geladeira, eletrodoméstico que é seguido por ferro de passar (91%), celular (85%), máquina de lavar (69%), chuveiro elétrico (61%), micro-ondas (55%), secador de cabelo ou chapinha (49%), computador (47%), TV de plasma, LCD ou LED (46%), freezer (38%), forno elétrico (17%) e aparelhos de ar condicionado (14%). Do total de lares, 28% já dispõem de TV por assinatura, 50% têm acesso à internet, 20% têm carro e 13%, moto.
Com base nas entrevistas, a pesquisa projeta que 1,1 milhão dos moradores de favela têm a intenção de comprar uma casa ou um apartamento nos próximos 12 meses, enquanto 1,2 milhão querem comprar um carro e 780 mil, uma moto. Quando se trata de uma TV de plasma, LED ou LCD, 2,1 milhões pretendem adquirir em 12 meses, enquanto 1,7 milhão pensam em um notebook e 1,2 milhão, um tablet. Esse mercado, porém, não chegou às comunidades: 74% costumam comprar eletrodomésticos fora das favelas, sendo 40% em bairros distantes.
Apesar do consumo, os moradores se queixam da baixa qualidade dos serviços públicos e da violência, além de sofrerem com falta de acesso à cultura. Dos pesquisados, 12% tinham ido ao cinema neste ano, 11% a shows e 2% ao teatro e a museus. O estudo também mostra que 38% dos lares em favelas não têm livros, contra 26% que têm mais de dez exemplares. Uma em cada 20 casas (5%) tem 51 livros ou mais.
Ainda assim, 70% dos moradores de favela veem a educação como uma forma de melhorar de vida, e 73% dos jovens estudaram mais anos do que os pais. Segundo a pesquisa, 1,4 milhão dos 11,7 milhões da população dessas áreas pretende fazer faculdade e 2,5 milhões planejam fazer um curso profissionalizante.
Edição: Davi Oliveira
http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/11/moradores-das-favelas-sao-mais-otimistas-que-brasileiros-em-geral-diz
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Para tucanos, Renan montou uma rede de proteção com nova Mesa Diretora
Integrantes do PSDB avaliam que a decisão de Renan Calheiros de fechar um acordo com aliados para a escolha dos cargos da Mesa Diretora do Senado tem um motivo: ele já estaria preparando uma rede de proteção no Legislativo para enfrentar o tiroteio dos próximos meses, caso seja citado na investigação da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Isso acabou pesando na decisão do PSDB de abandonar o plenário do Senado nesta quarta-feira (4), quando houve a votação dos nomes para compor a nova Mesa.
http://g1.globo.com/politica/blog/blog-do-camarotti/post/para-tucanos-renan-montou-uma-rede-de-protecao-com-nova-mesa-diretora.html
Murilo Ferreira ganha força para substituir Graça Foster
Nas últimas horas, ganhou força o nome do atual presidente da Vale, Murilo Ferreira, para substituir Graça Foster no comando da Petrobras. Outro nome que é considerado uma reserva técnica no núcleo mais próximo de Dilma Rousseff é o do atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho.“Mas Dilma tomará a decisão de forma solitária”, observou um interlocutor da presidente.
Com pouco tempo para decidir, Dilma deve se concentrar num nome em que tenha confiança. Isso pesa a favor de Murilo Ferreira, que foi para a Vale com o aval da própria Dilma. O fato de comandar uma empresa com porte semelhante ao da Petrobras também é um fator que passou a ser avaliado pelo Planalto.
Outros nomes cogitados pelo mercado não foram analisados dentro do Palácio do Planalto. Apesar de Henrique Meirelles ter a simpatia do ex-presidente Lula, interlocutores de Dilma avaliam que ela tem resistência pessoal ao ex-presidente do Banco Central.
Roger Agnelli, ex-presidente da Vale, também é um desafeto pessoal de Dilma. Por isso, é considerado sem chance no Planalto. Já Rodolfo Landim, ex-diretor da Petrobras, e Antonio Maciel Neto, ex-Ford, são considerados nomes distantes de Dilma.
“Num momento de crise de corrupção, em que há uma devassa na Petrobras, Dilma precisa de nomes de confiança. Ela precisa monitorar como tudo será feito na empresa. Existe uma preocupação em setores do PT, já que esse escândalo atinge a gestão anterior que comandou a Petrobras durante o governo Lula”, explicou um auxiliar de Dilma.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Guimarães substitui Fontana como líder do governo na Câmara
O Palácio do Planalto bateu o martelo: o novo líder do governo na Câmara será o deputado José Guimarães (PT-CE), irmão do ex-presidente da legenda José Genoino. Ele subsituirá Henrique Fontana (PT-RS) no posto.
A saída de Fontana é a primeira baixa depois da derrota do governo na disputa pelo comando da Câmara no último domingo (1º).
A saída de Fontana é a primeira baixa depois da derrota do governo na disputa pelo comando da Câmara no último domingo (1º).
o-circo-e-mais-organizado-que-a-camara-dos-deputados/
http://institutoavantebrasil.com.br/o-circo-e-mais-organizado-que-a-camara-dos-deputados/
Para o deputado Tiririca (PR-SP), “O trabalho no circo era mais organizado que os primeiros meses na Casa Legislativa”. “É doido. Nos primeiros três meses foi difícil, você vem de outra escola, você chega aqui [na Câmara] e assusta. Você vem de uma coisa toda organizada. Circo é uma coisa toda organizadinha, você tem hora para entrar, hora para sair. Aí você chega aqui o cara tá discursando e neguinho não tá nem aí. Até você entender que funciona assim [é complicado]” (1/1/15). Indagaram ao deputado se iria fazer seu primeiro discurso na Câmara neste segundo mandato? “Vamos sim, claro que não, vamos sim”. É fácil perceber que o Tiririca também faz parte do processo de aceleração destrutiva (PAD) do Brasil. Esse modelo de organização política e social que foi inventado para nosso País está falido. Algo virá em seu lugar (espera-se que para melhor). O que se lamenta é que ninguém sabe a data nem a forma.
Tributo do esculacho à esculhambação. A presença do Tiririca na Câmara dos Deputados é o retrato do povo brasileiro que, por sinal, gosta e admira muito mais o circo que o Congresso Nacional. “O Brasil é esse circo não só por causa dos Palhaços lá do planalto [e do Congresso Nacional], mas principalmente pelo fato de sermos tão espectadores!” (Frederico Spaniol). Boa parcela dos eleitores só quer mesmo palhaçadas, só protestar, anular o voto, zombar, brincar, inclusive com a democracia – que deveria ser uma coisa muito séria. A eleição do Tiririca é um tributo do esculacho à esculhambação (como foram os mais de 100 mil votos dados ao Rinoceronte Cacareco em São Paulo, em 1959; os mais de 400 mil votos dados ao Macaco Tião, no RJ, em 1988; os quase 2 milhões de votos ao Enéas etc.). O triste é saber que o voto da avacalhação (do povo abestado) faz parte do processo destrutivo do Brasil. Reflexo da desmoralização da política brasileira.
Tiririca faz parte de um “negócio”. Os partidos conquistam seus espaços eleitorais por meio do voto. Quanto mais o partido é votado, mais parlamentares elege. Quanto mais parlamentares, mais verba recebe do fundo de participação partidária. A política, sobretudo nas mãos das deploráveis lideranças nacionais (há poucas exceções), virou puro negócio. Os candidatos não são escolhidos (normalmente) pela competência ou pelas suas ideias, sim, pela perspectiva de votos que representa. Por força das coligações (outra aberração da política nacional!), um deputado bem votado leva dois, três ou mais deputados juntos. No final, candidato com 100 mil votos fica fora do Parlamento, enquanto outro com 20 mil é eleito (em razão das cotas partidárias obtidas nas urnas).
Distritão ou distrital? De aberração em aberração o Processo de Aceleração Destrutiva (PAD) vai se incrementando no Brasil “abestado”. Com a redemocratização (1985) conseguimos uma democracia eleitoral, mas extremamente defeituosa, que está muito longe de ser uma democracia cidadã (como a dos países escandinavos, por exemplo). A reforma política urgente deve, pelo menos, corrigir os piores vícios da nossa democracia (só) eleitoral. Hoje a eleição para a Câmara segue o voto proporcional (cada partido, conforme seus votos, elege uma cota de deputados). Os três caminhos para a mudança desse sistema são: (a) voto distrital puro (divide cada Estado em distritos e cada distrito elege o seu deputado); (b) voto distrital misto (metade das cadeiras seguiria o voto proporcional e outra metade o distrital); (c) voto “distritão” (são eleitos os mais votados em cada Estado, independentemente do partido e sem se levar em conta os votos dados aos partidos).
Vantagens do “distritão”. Essa terceira forma é muito interessante porque elimina automaticamente as coligações na eleição para deputados. Outra vantagem: pode reduzir o número de partidos com assento na Câmara. Isso dispensa acláusula de barreira e reforça a fidelidade do eleito ao seu partido. Mais um detalhe: por esse sistema, cada partido lançaria poucos candidatos (os mais viáveis eleitoralmente), porque o que importa é a concentração dos votos em cada candidato, não a dispersão (como é hoje). Atualmente cada partido busca a maior quantidade de votos possível, para fazer mais deputados. Por isso lança muitos candidatos. No “distritão”, que elege os mais votados, quanto mais concentração de votos nos candidatos, melhor. A pulverização é pior. Com poucos candidatos, o uso do horário gratuito será mais racional. No sistema que estamos aqui cuidando, o Tiririca (só para exemplificar, pois espero sinceramente que ele deixe a política), mesmo eleito com um milhão de votos, não levaria mais ninguém junto com ele. Seria apenas um dos eleitos. Com isso se decreta o fim do voto proporcional assim como o fim das coligações na eleição para deputados. O “distritão” para ser uma boa alternativa, mas deve vir acompanhado de muitas outras mudanças como (a) fim do financiamento privado empresarial (ficando o atual financiamento público assim como o financiamento privado particular, limitado) e (b) limitação dos gastos de cada candidato.
P.S. Participe do nosso movimento fim da reeleição (veja fimdopoliticoprofissional.com.br). Baixe o formulário e colete assinaturas. Avante!
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