" CAVALO BATIZADO"
Na blogosfera maranhense muito se tem usado o reino animal para se falar de humanos ou de ações humanas. Falou-se de gorilas diplomados, de saguis, de crocodilos de pit buls, agora vamos lembrar do cavalo .O cavalo (do latim caballu) é um mamífero hipomorfo, da ordem dos ungulados, uma das três subespécies modernas da espécie Equus ferus. A denominação para os machos não castrados, garanhão e para os filhotes, potro. Esse grande ungulado é membro da mesma família dos asnos e das zebras, a dos equídeos. Todos os sete membros da família dos equídeos são do mesmo gênero, Equus, e podem relacionar-se e produzir híbridos, não férteis, como as mulas. Pertencem a ordem dos perissodáctilos, sendo por isso parentes dos rinocerontes e dos tapires, ou antas. Não obstante a classificação cientifica do animal, vamos falar neste texto do "cavalo batizado". Cavalo batizado é uma expressão usado para designar o sujeito boçal, ignorante grosso, é uma expressão largamente usada pelos maranhenses. Essa espécie de animal na sua versão Humana tem gostos sofisticados, adora forró, festas, curtição, quer se diplomar em direito, gosta de tecnologia, facebook. Neste último administra grupos de discussão como se fosse seu. Inclui , exclui, ofende, trata mal, enfim, pensa que está em sua estrebaria, e haja coices. E assim revela a sua natureza equídea , a sua forma humana começa a se transformar, a partir do rosto, que assume as feições do animal quadrúpede: cara comprida e ossuda. No serviço público essa espécie também é encontrada com facilidade, normalmente em cargos de chefia, cargos de confiança. Estes equídeos quando tratam com os superiores são gentis, generosos, tolerantes, e estão vestidos com a túnica da técnica e da competência. No tratamento com o homem simples e trabalhador, e com aqueles que lhe estão subordinados, mostram a sua natureza de animal irracional.
Boas vindas e boa leitura é o que desejamos a todos que acessarem este blog, aqui trataremos de temas variados, mas de interesse público e do público: direitos humanos, educação, cultura, segurança pública, política etc.
domingo, 3 de junho de 2012
sábado, 2 de junho de 2012
Polícia prende suspeitos de participar de atentando contra advogada
http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2012/06/policia-prende-suspeitos-de-participar-de-atentando-contra-advogada.
Crime aconteceu na noite da última quinta-feira (31), em Bom Lugar.
Um terceiro envolvido é procurado pela polícia civil.
A polícia civil prendeu dois homens suspeitos de participarem do atentado contra a advogada Edna Maria, acontecido na noite da última quinta-feira (31). Pré-candidata à prefeitura de Bom Jardim, a advogada foi chamada na porta de sua casa, quando foi alvejada por vários tiros, mas nenhum a atingiu.
As prisões aconteceram na sexta-feira (1º) e na madrugada deste sábado (2). O primeiro detido foi o proprietário da moto que teria sido utilizada para o crime. Interrogado, ele negou a participação no atentado, afirmando que outros dois homens estariam envolvidos.
Através destas informações, a polícia conseguiu prender home que teria sido o condutor da moto. A prisão foi efetuada já em São João do Caru, município vizinho a Bom Jardim. Segundo informações repassadas pela polícia, o homem teria confessado a participação no atentado, mas não efetuado os tiros.
Um terceiro envolvido, que seria o autor dos disparos, está sendo procurado pela polícia na região.
Arma que deveria ser exclusiva da polícia está nas mãos dos bandidos
http://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2012/06/arma-que-deveria-ser-exclusiva-da-policia-esta-nas-maos-dos-bandidos.
Uso constante da pistola calibre .40 por bandidos já preocupa a polícia.
Além de policiais, uso da arma é extendido apenas a juízes e promotores.
Uma pistola que deveria ser utilizada apenas por policiais, juízes e promotores está indo para nas mãos de bandidos, como mostrou o Jornal Hoje deste sábado (2). O uso constante da arma calibre .40 por bandidos já preocupa a polícia.A .40 é a pistola que, por lei, só poderia ser utilizada por policiais civis e militares em todo o país, além de juízes e promotores. “Quem iniciou esse processo aqui no Brasil foi a Polícia Rodoviária Federal, que adotou esse calibre. Depois, foi solicitado para as forças estaduais e hoje se tornou um calibre popular na área de defesa pública", explicou o instrutor de tiro Nagib Feres.
No Maranhão, crimes praticados com a utilização dessa arma têm chamado a atenção das autoridades. Um homem suspeito de cometer seis assassinatos estava com umas dessas pistolas quando foi preso, em São Luís. A arma tinha o símbolo da Polícia Militar do Estado com marcas que indicam que alguém tentou raspar a insígnia. Um outro grupo, que foi preso na BR-135, no Maranhão, estava com uma arma que pertencia à polícia do Ceará.
Na capital maranhense, em menos de um mês, em pelo menos quatro assassinatos, os executores usaram a pistola .40. Em um deles, o jornalista Décio Sá foi executado com cinco tiros, à queima roupa, enquanto estava em um bar, em uma das avenidas mais movimentadas de São Luís.
O bandido deixou cair o carregador da arma e havia munição de lotes comprados pela Polícia Militar e Civil. Para a polícia do Maranhão, só há duas formas de a .40 chegar às mãos dos bandidos: contrabando ou extravio. Esta última forma, quando as armas são roubadas ou furtadas de policiais ou até mesmo de delegacias.
Roubos deste tipo tem sido frequentes em cidades do interior do Nordeste. Há dois meses, três delegacias de Imperatriz, sudoeste do Maranhão, foram arrombadas na mesma noite. Armas e objetos foram levados pelos bandidos. Em Recife, pelo menos dez pistolas e uma metralhadora foram roubadas de uma delegacia. Os ladrões entraram à noite enquanto dois agentes dormiam no plantão.
"Infelizmente, esses fatos tem acontecido e os policiais também tem sido vítima de furtos, de roubos, que tem acontecido em todo o país afora", lamentou o superintendente da Polícia Civil no Maranhão, Sebastião Uchôa.
Opositores da PEC enfrentam denúncias
Deputados repudiam trabalho escravo, mas mantêm a prática em suas terras
Os deputados que votaram contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, durante a 2º votação da matéria na Câmara afirmaram que, apesar de sua decisão, não apoiam o trabalho escravo. Entretanto, alguns parlamentares e suas famílias enfrentam processos no Supremo Tribunal Federal (STF) por trabalho escravo em suas próprias terras.
Um deles é o deputado Beto Mansur (PP-SP), que também foi prefeito de Santos (SP). No final de 2004, 46 trabalhadores em condição análoga à escravidão foram libertados das fazendas Triângulo e Terra Boa, que pertencem a Mansur e estão localizadas no município de Porangatu (GO). Dentre os resgatados havia sete menores de idade, dois deles com apenas 14 anos na época em que ocorreram os flagrantes: Contratados para arrancar raízes, na preparação do solo para o plantio de soja, os trabalhadores eram submetidos trabalho degradante, jornada exaustiva e servidão por dívida. Quando houve a denúncia, Mansur alegou desconhecimento sobre os fatos e afirmou que os funcionários haviam sido contratados sem sua autorização.
João Lyra (PSD-AL), que se ausentou durante a votação, também enfrenta denúncias no STF. Em agosto de 2010, 207 trabalhadores foram libertados dos canaviais da Laginha Agroindustrial, na unidade Vale do Paranaíba, em Capinópolis (MG). A empresa faz parte do Grupo João Lyra, que pertence ao deputado.
Esse, porém, não foi o único caso envolvendo Lyra. Em 2008, um flagrante já havia detectado mais de 40 irregularidades trabalhistas nos canaviais e na sede da usina Laginha Agroindustrial no município de União dos Palmares (AL). No local foram descobertos 53 trabalhadores vivendo em más condições, em locais sujos e sem acesso a banheiros e alimentação. Segundo informações declaradas à Justiça Eleitoral, João Lyra é o deputado federal mais rico do país, com uma fortuna pessoal avaliada em R$ 240,39 milhões.Já a família de Ronaldo Caiado (DEMGO), que votou contra a PEC, também está envolvida em denúncias semelhantes. Em janeiro de 2010, fiscais encontraram trabalho escravo na Fazenda Santa Mônica, em Natividade (TO). A terra é propriedade de Emival Ramos Caiado Filho, primo de Caiado. Dezoito pessoas eram mantidas em alojamentos de lona e madeira erguidos sobre chão de terra sem acesso a banheiros, água potável, energia elétrica, alimentação e leitos adequados.
As denúncias de envolvimento em trabalho escravo também estão no Senado. João Ribeiro (PR-TO) é réu de um processo do STF, acusado de manter 35 trabalhadores em condições análogas à escravidão da Fazenda Ouro Verde, de 1,7 mil hectares, localizada em Piçarra (PA). Entre eles, havia duas mulheres e um menor de 18 anos.
Libertados em 2004, eles habitavam ranchos improvisados, sem paredes e de chão batido, feitos por folhas de palmeiras e sustentados por arbustos fincados no solo, sem camas ou colchões. A água consumida era insalubre, e as jornadas de trabalho estendiam-se por até 12 horas diárias de segunda a sábado, além de seis no domingo, sem folgas semanais.
“A meta é privatizar as decisões que deveriam ser dos estados”
Para Iara Pietricovsky, antropóloga e integrante do Inesc, a sociedade civil precisa estar atenta e mobilizada em relação aos debates na Conferência da Rio+20
Para Iara Pietricovsky, antropóloga e integrante do conselho de gestão do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), a sociedade civil precisa estar atenta e mobilizada em relação aos debates na Conferência da Rio+20, pois conceitos importantes tratados e definidos na Rio92 podem estar ameaçados. Confira a entrevista que Iara concedeu à Página do MST.
A Rio+20 é uma consequência da Rio92. Quais são as principais diferenças no caráter político e na conjuntura em que as Conferências se realizam?
Em 1992, nós estávamos no ápice do neoliberalismo, e ideias como a privatização e o Estado mínimo estavam sendo aprofundadas. A conferência de 1992 foi um contraponto a esses ideais, mostrando que existiam outras coisas importantes que deviam ser consideradas, como os direitos humanos e a sustentabilidade ambiental.
A Rio92 desorganizou essa lógica neoliberal que assolava o mundo naquele momento. Vinte anos depois, estamos vivendo num mundo onde os paradigmas do neoliberalismo estão em crise. Em 92, ao pensar nos pilares social, econômico e ambiental, se desenvolveu princípios como o de responsabilidades diferenciadas entre os países, cuja ideia é que os países poluidores são os maiores responsáveis pela crise ambiental e, portanto, devem arcar com esta responsabilidade. Além de uma série de marcos regulatórios e princípios jurídicos internacionais ratificados por meio de tratados e convenções, que são fundamentais.
Hoje é o oposto. Estamos num mundo em crise, com os países e seus governos fragilizados, as corporações estão extremamente fortalecidas, pressionando e destituindo os estados de seu papel regulador e mediador.
Como conseqüência desse processo, a Rio+20 está diluída, pois o que foi constituído ao longo dos anos e conferências em relação aos direitos humanos está sendo reduzido. Ou seja, vivemos em tempos muito mais complexos e muito mais complicados, portanto é necessária maior consciência e ação política por parte dos cidadãos, organizações políticas e movimentos sociais em torno do que está se deliberando na Rio+20.
Em relação às metas da Rio92, o que foi cumprido até hoje?
É difícil dizer. Há uma série de leis e marcos legais que foram regulamentados. Hoje há o princípio das Responsabilidades Comuns, Mas Diferenciadas, fundamental para envolver, discutir e obrigar os países desenvolvidos a mudar seu padrão de produção e consumo, além de iniciativas e experiências do ponto de vista do desenvolvimento de tecnologias, da compreensão da necessidade de uma mudança de padrão no mundo.
Mas efetivamente, uma alternativa a essa forma de produção capitalista baseada em recursos naturais de forma infinita continua existindo na prática até hoje. E isso é o maior dos desafios que temos hoje na sociedade planetária. Se não nos mobilizarmos massivamente no sentido de mostrar tanto às corporações e transnacionais quanto aos governos - que vem respondendo mais aos interesses corporativos do que da dignidade humana das populações -, vamos perder um momento importante e transcendente para fazer essa reflexão de modelo de paradigma e desenvolvimento.
Nesse ano expira o protocolo de Quioto. Qual a sua avaliação dos resultados do protocolo?
A renovação do protocolo está sendo questionada. O protocolo essencialmente afirma as Responsabilidades Comuns, Mas Diferenciadas, ao dizer que os países ricos têm de pagar essa conta, pois eles foram e são os maiores predadores ambientais. Há também o debate de transferência de tecnologia: não é só acessar a tecnologia, é transferir, quebrar a lógica das patentes.
O que acontece é que nenhum país desenvolvido quer assumir essa responsabilidade. Essa força política que não quer renovar o protocolo quer partir para outro acordo que responsabilize em igual medida os países em desenvolvimento, o que configura uma inversão de valores e da responsabilidade histórica que os países desenvolvidos têm.
É fundamental que se aprove a renovação do protocolo. Assim como é fundamental que as metas de desenvolvimento sustentável que estão sendo propostas na Rio+20 peguem os países ricos. Eles têm de começar a mudar radicalmente e a pagar a conta. Não que nós não tenhamos responsabilidade, mas eles são os maiores responsáveis: o padrão de consumo e produção predatório é realizado em grande parte pelos países ricos.
Que metas de desenvolvimento sustentável são essas?
Essas metas são propostas de desenvolvimento que nasceram da Colômbia, mas que foram rapidamente aplaudidas pelos países ricos. São metas que pretendem substituir as Metas do Milênio, que fracassaram. Só que para essas metas serem efetivas, elas tinham que estar atreladas a um conteúdo diretamente relacionado aos princípios da Rio92, ou seja, o princípio do país poluidor-pagador, da precaução, que são princípios básicos. Todos os tratados que foram derivados da Rio92 estão atrelados a estes princípios.
O que as metas propostas hoje querem nesse momento é o contrário: estão retirando esses direitos, transformando essas metas em projetos de longo prazo, cujo exemplo maior é a proposta de dobrar a energia limpa do mundo. Ora, a energia limpa do mundo hoje corresponde a 4% do total. Em 2030, se dobrar, vamos para 8%. Isso não é nada.
Não se fala de transferência de tecnologia também. As metas, agora, são assim: em relação ao acesso universal a água, os governos estão sendo incapazes de garantir este direito. Então o conceito de universalização do direito a água da margem para se colocar metas pausadas, e quem vai realizar essa meta são os parceiros prioritários, através das parcerias público-privadas, nas quais o setor privado será o maior realizador dessas metas. As metas da Rio+20 privatizam as decisões que deveriam ser realizadas pelos estados e seus governos.
Aparentemente, há duas agendas, a dos países desenvolvidos e a dos subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Há posições conflitantes na agenda destes países?
Sim. O Estados Unidos não é um país signatário de nenhum tratado internacional. Com isso ele joga o jogo mas não se compromete com nada. Ele não quer direito humano algum, ele quer uma declaração simples, sem nenhuma obrigação. A Europa, por conta dessa crise absoluta, está numa posição defensiva; o Japão está em crise por causa dos terremotos, mas ele tem resoluções internas importantes na questão da sua sustentabilidade, mas não querem compartilhar isso com o mundo. Eles também rejeitam tudo que diz respeito aos direitos humanos.
O G-77, grupo de países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte, além de países africanos, árabes e da América Latina, é o grupo que está batalhando para reafirmar os tratados e convenções que foram aprovados desde a Rio92. Há contradições, inclusive dentro do Brasil, mas o fato é que esse conjunto de países tem uma defesa mais pró-ativa em relação à questão dos tratados e dos direitos.
Você acredita que a Rio+20 vai conseguir avançar na criação de algum modelo efetivo para enfrentar as crises que vivemos?
A Rio+20 vai ser importante por colocar na agenda mundial novamente esse debate. O documento oficial vai ser fraco, ele vai simplesmente introduzir essas metas do desenvolvimento sustentável e dar uma agenda para o futuro. É preciso brigar para que os princípios e convenções da Rio92 permaneçam. Lutar para que todas as instâncias e capítulos sejam vinculados ao tema dos direitos humanos, econômicos, culturais, que foram constituídos ao longo destas últimas décadas.
Se isso não for feito, esse documento não vai ter poder nenhum de transformação. Mesmo assim, eu acho que este debate, nesse momento de crise mundial é fundamental, porque é a maneira que os movimentos sociais, as organizações de cidadãos e cidadãs que tem uma consciência do que está acontecendo e que querem se tornar ativos nesse processo, tem de apresentarem seus pensamentos, disputar com o poder da mídia hegemônica e das corporações. É um momento em que a gente consegue fazer uma inflexão de contracultura, de contraponto à tentativa que o modelo e o sistema têm de se readequar e reproduzir, vestido numa roupagem de economia verde, de sustentabilidade.
A Rio+20 é uma consequência da Rio92. Quais são as principais diferenças no caráter político e na conjuntura em que as Conferências se realizam?
Em 1992, nós estávamos no ápice do neoliberalismo, e ideias como a privatização e o Estado mínimo estavam sendo aprofundadas. A conferência de 1992 foi um contraponto a esses ideais, mostrando que existiam outras coisas importantes que deviam ser consideradas, como os direitos humanos e a sustentabilidade ambiental.
A Rio92 desorganizou essa lógica neoliberal que assolava o mundo naquele momento. Vinte anos depois, estamos vivendo num mundo onde os paradigmas do neoliberalismo estão em crise. Em 92, ao pensar nos pilares social, econômico e ambiental, se desenvolveu princípios como o de responsabilidades diferenciadas entre os países, cuja ideia é que os países poluidores são os maiores responsáveis pela crise ambiental e, portanto, devem arcar com esta responsabilidade. Além de uma série de marcos regulatórios e princípios jurídicos internacionais ratificados por meio de tratados e convenções, que são fundamentais.
Hoje é o oposto. Estamos num mundo em crise, com os países e seus governos fragilizados, as corporações estão extremamente fortalecidas, pressionando e destituindo os estados de seu papel regulador e mediador.
Como conseqüência desse processo, a Rio+20 está diluída, pois o que foi constituído ao longo dos anos e conferências em relação aos direitos humanos está sendo reduzido. Ou seja, vivemos em tempos muito mais complexos e muito mais complicados, portanto é necessária maior consciência e ação política por parte dos cidadãos, organizações políticas e movimentos sociais em torno do que está se deliberando na Rio+20.
Em relação às metas da Rio92, o que foi cumprido até hoje?
É difícil dizer. Há uma série de leis e marcos legais que foram regulamentados. Hoje há o princípio das Responsabilidades Comuns, Mas Diferenciadas, fundamental para envolver, discutir e obrigar os países desenvolvidos a mudar seu padrão de produção e consumo, além de iniciativas e experiências do ponto de vista do desenvolvimento de tecnologias, da compreensão da necessidade de uma mudança de padrão no mundo.
Mas efetivamente, uma alternativa a essa forma de produção capitalista baseada em recursos naturais de forma infinita continua existindo na prática até hoje. E isso é o maior dos desafios que temos hoje na sociedade planetária. Se não nos mobilizarmos massivamente no sentido de mostrar tanto às corporações e transnacionais quanto aos governos - que vem respondendo mais aos interesses corporativos do que da dignidade humana das populações -, vamos perder um momento importante e transcendente para fazer essa reflexão de modelo de paradigma e desenvolvimento.
Nesse ano expira o protocolo de Quioto. Qual a sua avaliação dos resultados do protocolo?
A renovação do protocolo está sendo questionada. O protocolo essencialmente afirma as Responsabilidades Comuns, Mas Diferenciadas, ao dizer que os países ricos têm de pagar essa conta, pois eles foram e são os maiores predadores ambientais. Há também o debate de transferência de tecnologia: não é só acessar a tecnologia, é transferir, quebrar a lógica das patentes.
O que acontece é que nenhum país desenvolvido quer assumir essa responsabilidade. Essa força política que não quer renovar o protocolo quer partir para outro acordo que responsabilize em igual medida os países em desenvolvimento, o que configura uma inversão de valores e da responsabilidade histórica que os países desenvolvidos têm.
É fundamental que se aprove a renovação do protocolo. Assim como é fundamental que as metas de desenvolvimento sustentável que estão sendo propostas na Rio+20 peguem os países ricos. Eles têm de começar a mudar radicalmente e a pagar a conta. Não que nós não tenhamos responsabilidade, mas eles são os maiores responsáveis: o padrão de consumo e produção predatório é realizado em grande parte pelos países ricos.
Que metas de desenvolvimento sustentável são essas?
Essas metas são propostas de desenvolvimento que nasceram da Colômbia, mas que foram rapidamente aplaudidas pelos países ricos. São metas que pretendem substituir as Metas do Milênio, que fracassaram. Só que para essas metas serem efetivas, elas tinham que estar atreladas a um conteúdo diretamente relacionado aos princípios da Rio92, ou seja, o princípio do país poluidor-pagador, da precaução, que são princípios básicos. Todos os tratados que foram derivados da Rio92 estão atrelados a estes princípios.
O que as metas propostas hoje querem nesse momento é o contrário: estão retirando esses direitos, transformando essas metas em projetos de longo prazo, cujo exemplo maior é a proposta de dobrar a energia limpa do mundo. Ora, a energia limpa do mundo hoje corresponde a 4% do total. Em 2030, se dobrar, vamos para 8%. Isso não é nada.
Não se fala de transferência de tecnologia também. As metas, agora, são assim: em relação ao acesso universal a água, os governos estão sendo incapazes de garantir este direito. Então o conceito de universalização do direito a água da margem para se colocar metas pausadas, e quem vai realizar essa meta são os parceiros prioritários, através das parcerias público-privadas, nas quais o setor privado será o maior realizador dessas metas. As metas da Rio+20 privatizam as decisões que deveriam ser realizadas pelos estados e seus governos.
Aparentemente, há duas agendas, a dos países desenvolvidos e a dos subdesenvolvidos e em desenvolvimento. Há posições conflitantes na agenda destes países?
Sim. O Estados Unidos não é um país signatário de nenhum tratado internacional. Com isso ele joga o jogo mas não se compromete com nada. Ele não quer direito humano algum, ele quer uma declaração simples, sem nenhuma obrigação. A Europa, por conta dessa crise absoluta, está numa posição defensiva; o Japão está em crise por causa dos terremotos, mas ele tem resoluções internas importantes na questão da sua sustentabilidade, mas não querem compartilhar isso com o mundo. Eles também rejeitam tudo que diz respeito aos direitos humanos.
O G-77, grupo de países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte, além de países africanos, árabes e da América Latina, é o grupo que está batalhando para reafirmar os tratados e convenções que foram aprovados desde a Rio92. Há contradições, inclusive dentro do Brasil, mas o fato é que esse conjunto de países tem uma defesa mais pró-ativa em relação à questão dos tratados e dos direitos.
Você acredita que a Rio+20 vai conseguir avançar na criação de algum modelo efetivo para enfrentar as crises que vivemos?
A Rio+20 vai ser importante por colocar na agenda mundial novamente esse debate. O documento oficial vai ser fraco, ele vai simplesmente introduzir essas metas do desenvolvimento sustentável e dar uma agenda para o futuro. É preciso brigar para que os princípios e convenções da Rio92 permaneçam. Lutar para que todas as instâncias e capítulos sejam vinculados ao tema dos direitos humanos, econômicos, culturais, que foram constituídos ao longo destas últimas décadas.
Se isso não for feito, esse documento não vai ter poder nenhum de transformação. Mesmo assim, eu acho que este debate, nesse momento de crise mundial é fundamental, porque é a maneira que os movimentos sociais, as organizações de cidadãos e cidadãs que tem uma consciência do que está acontecendo e que querem se tornar ativos nesse processo, tem de apresentarem seus pensamentos, disputar com o poder da mídia hegemônica e das corporações. É um momento em que a gente consegue fazer uma inflexão de contracultura, de contraponto à tentativa que o modelo e o sistema têm de se readequar e reproduzir, vestido numa roupagem de economia verde, de sustentabilidade.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Trabalho forçado atinge três em cada mil pessoas no mundo, diz OIT
20,9 milhões trabalham em empregos sob coação ou engano, diz relatório.
Mulheres maiores de idade e que vivem na Ásia são maiores vítimas.
Três em cada mil pessoas do mundo já sofreram ou sofrem com algum tipo de trabalho forçado, isto é, estão presas em empregos que lhes foram impostos por meio de coação ou de engano e dos quais não podem sair, diz um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
De acordo com o relatório “Estimativa Global de Trabalho Forçado”, divulgado nesta sexta-feira (1º), são 20,9 milhões os trabalhadores nesta condição.
Deste total, 90% (18,7 milhões) são explorados na economia privada, por indivíduos ou empresas. Segundo o estudo, eles são vítimas de exploração sexual forçada ou de exploração do trabalho em atividades como agricultura, construção civil, trabalho doméstico ou industrial.
Os restantes 10% (2,2 milhões) sofrem com o trabalho forçado pelo Estado, em prisões, exércitos nacionais ou forças armadas rebeldes, diz a OIT.
As mulheres com idade igual ou maior de 18 anos são as maiores vítimas deste tipo de exploração, segundo o estudo. Mulheres e meninas representam 55% (11,4 milhões) deste tipo de trabalhador explorado, enquanto os homens, sejam adultos ou crianças, são 9,5 milhões. Os menores de 18 anos representam 26%, ou 5,5 milhões.
RegiõesA região da Ásia e Pacífico concentra o maior número de trabalhadores forçados no mundo: 11,7 milhões, ou 56% do total geral. O segundo maior número é registrado na África, com 3,7 milhões (18%), seguido pela América Latina, com 1,8 milhão de vítimas (9%).
O número de vítimas por mil habitantes é maior na Europa Central e no Leste Europeu, além da região da Comunidade de Estados Independentes (ex-URSS), onde chega a 4,2 por mil, e na África, com 4 por mil. A mais baixa, de 1,5 por mil trabalhores, é registrada nas economias desenvolvidas e na União Europeia.
Segundo a OIT, a prevalência mais alta na Europa Central, Leste Europeu e ex-URSS se dá pela população inferior à da Ásia e, ao mesmo tempo, ao maior número de denúncias de tráfico de pessoas para exploração sexual ou de trabalho.
"Percorremos um longo caminho nos últimos sete anos desde quando apresentamos as primeiras estimativas sobre o número de pessoas em trabalho ou serviços forçados no mundo. Também tivemos progresso ao assegurar que a maioria dos países tenha uma legislação que penalize o trabalho forçado, o tráfico de seres humanos e as práticas análogas à escravidão”, disse Beate Andrees, Diretora do Programa Especial de Ação para Combater o Trabalho Forçado da OIT, segundo o material de divulgação.
Segundo ela, é importante garantir que o número de vítimas “não aumente durante a atual crise econômica, na qual as pessoas são cada vez mais vulneráveis a esta prática nefasta”.
Migração e exploração sexualO estudo também aponta a relação entre o trabalho forçado com a migração, seja dentro do país ou para o exterior. Há 9,1 milhoes de vítimas (44% do total) que se deslocaram. Segundo a OIT, “os deslocamentos entre fronteiras estão estreitamente vinculados com a exploração sexual”.
O estudo é resultado de um levantamento dos casos denunciados de trabalho forçado de todos os países do mundo num período de 10 anos, entre 2002 e 2011. A margem de erro para a estimativa global de 20,9 milhões é de 7% (1,4 milhão
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/06/trabalho-forcado-atinge-tres-em-cada-mil-pessoas-no-mundo-diz-oit
Justiça decreta prisão preventiva de três PMs suspeitos de execução
Um sargento e dois soldados da Rota estão detidos desde terça-feira.
Eles participaram de operação que acabou com seis mortos na Penha.
A Justiça decretou, nesta quinta-feira (31), a prisão preventiva dos três policiais da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) suspeitos de executar um homem depois de um confronto na Penha, Zona Leste da capital, na noite de segunda-feira (28). A vítima teria sido executada no acostamento da Rodovia Ayrton Senna.Os policiais militares cujas prisões preventivas foram decretadas pela Justiça já estavam presos desde terça-feira (29). A primeira prova do crime veio de uma câmera usada na fiscalização da estrada. As imagens, que já estão com a polícia, mostram um carro da Rota parado no local onde teria ocorrido a execução. A equipe de reportagem do SPTV teve acesso aos depoimentos dos policiais militares suspeitos e da principal testemunha do caso.
O trecho da estrada fica em frente a uma área residencial. Uma testemunha ligou para o 190 da PM e descreveu o que viu. Depois, repetiu as informações em depoimento. De acordo com informações do SPTV, a testemunha disse que policiais militares estariam agredindo uma pessoa e, após jogá-la no chão, efetuaram disparos de arma de fogo contra o suspeito. Após alvejar a vítima, os policiais militares teriam colocado essa pessoa no carro e deixado o local.
O outro soldado disse à policia que, depois da queda, o suspeito foi recolocado no carro e levado para ser socorrido. Mas, segundo a investigação, a parada dos policiais pode não ter sido tão rápida. O carro dos PMs suspeitos, que voltou ao local do confronto, ficou no acostamento da estrada por 12 minutos.
A Corregedoria investiga também se policiais que estavam em outro carro e passaram pelo veículo parado na estrada se omitiram. Os três policiais da Rota - um sargento e dois soldados - já estão no Presídio Romão Gomes. Na noite desta quinta-feira a Justiça decretou sigilo nas investigações.
Afastamento
Ainda nesta quinta, a Polícia Militar afirmou ter afastado seis integrantes da Rota que participaram da operação. Em nota divulgada nesta noite, a PM informou que eles foram ouvidos pela Corregedoria da corporação e liberados. "Trata-se de dois oficiais, um sargento, um cabo e dois soldados que a partir de agora estarão à disposição do PAAPM (Programa de Acompanhamento e Apoio a Policiais Militares) envolvidos em ocorrência de alto risco", diz a nota.
http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/05/justica-decreta-prisao-preventiva-de-tres-pms-suspeitos-de-execucao
Assinar:
Postagens (Atom)